refletor.com

Por aplicação

Refletor para fachada

Existe uma regra que resolve a maior parte dos projetos de fachada, e ela não tem nada a ver com potência:

Perto da parede com facho fechado revela a textura. Longe da parede com facho aberto apaga a textura.

As duas coisas são válidas. O que não pode é escolher sem querer.

Rasante — revela Banho — apaga encostado · facho fechado sombra longa = textura visível afastado · facho aberto sem sombra = superfície lisa Em pedra e tijolo, o rasante revela o material. Em parede lisa pintada, ele denuncia cada onda de reboco — ali o certo é banho.
A distância da parede decide o resultado. Não é potência nem temperatura de cor: é a geometria. O mesmo aparelho, dois metros mais longe, produz uma fachada completamente diferente.

Rasante: revelar o material

O aparelho fica encostado na base da parede, a poucos centímetros, apontado quase paralelo à superfície. A luz raspa o material e cada saliência projeta a própria sombra.

Funciona muito bem em: pedra, tijolo aparente, concreto texturizado, madeira ripada, cobogó, muro de pedra.

Funciona mal, e denuncia, em: parede lisa pintada. Cada onda de reboco e cada emenda de massa aparece. Se a parede não é perfeita, não use rasante nela.

Banho: iluminar sem marcar

O aparelho fica afastado da parede — uma distância da ordem de um terço a metade da altura a iluminar — com facho aberto. A luz chega mais de frente, as sombras somem e a superfície fica uniforme.

É o que se usa em parede lisa, painel, letreiro e fachada comercial, onde o objetivo é legibilidade e não drama.

De baixo ou de cima?

De baixo para cima é o padrão de fachada residencial e institucional: o aparelho some no canteiro, o efeito é teatral, e não há estrutura aparente. Cuidado: acima do topo da parede a luz continua subindo — para o céu e para a janela de quem está em frente. Fachada alta pede facho fechado e recorte.

De cima para baixo exige braço ou estrutura visível, mas derrama muito menos luz para fora e é o único jeito de iluminar uma fachada sem invadir o vizinho de frente.

Temperatura de cor por material

A cor da luz muda o material mais do que as pessoas esperam:

MaterialTemperatura que funciona
Tijolo, madeira, pedra quente, terracota2700 K a 3000 K
Concreto, mármore claro, pintura branca3000 K a 4000 K
Vidro, metal, arquitetura contemporânea4000 K

Luz fria em tijolo deixa o material acinzentado e sujo. Luz quente em concreto branco deixa a parede amarelada. Na dúvida em fachada mista, 3000 K erra menos.

Óptica assimétrica

É a peça específica desta aplicação. Um refletor comum montado no chão joga um cone que é muito intenso embaixo e fraco em cima — a parede fica com uma mancha clara na base e escura no topo.

A óptica assimétrica empurra a luz para frente e para cima, compensando a distância. O resultado é uma parede uniforme de baixo a cima, com muito menos potência. Se a fachada é alta e você está iluminando de baixo, é o que você precisa.

O que reprova uma fachada pronta

  • Mancha na base e topo escuro — falta óptica assimétrica ou o aparelho está perto demais para a altura.
  • Luz na janela do vizinho da frente — facho aberto demais, ou aparelho apontado além do topo da parede.
  • Pontos brilhantes visíveis — o aparelho aparece no campo de visão. Recue, embuta, ou use viseira. Em fachada, o que deve aparecer é a parede iluminada, não a luminária.
  • Poluição luminosa para a via — fachada voltada para rodovia ou avenida exige atenção redobrada ao ângulo, e a regra é municipal.

Grau IP

Fachada costuma ser lavada — mangueira, hidrojato, chuva com vento. Isso é jato, não imersão: o grau que importa é IP66.

Se o aparelho fica embutido no piso, na base da parede, onde a água se acumula, aí sim é caso de IP67 — ou de marcação dupla IP66/IP67. Veja IP66 ou IP67.

Potência

Fachada trabalha com potências menores do que a intuição sugere, porque a parede está perto e o alvo é vertical:

  • Muro e fachada baixa, até 3 m → 50 W por ponto
  • Fachada residencial, 3 a 6 m → 100 W
  • Fachada comercial alta, 6 a 12 m → 200 W a 300 W, com facho fechado

Mais pontos de menor potência, espaçados regularmente, dão uniformidade muito melhor que poucos aparelhos fortes.

A conta de uma fachada — e onde ela falha

Fachada comercial de 18 metros de largura por 8 de altura — 144 m² de superfície vertical — em avenida já iluminada, alvo de 100 lux de média sobre a parede.

Numa fachada o CU é mais baixo que num piso: parte do facho passa do topo da parede, parte cai no calçamento. Use 0,45, com FM 0,8.

  1. Fluxo útil de cada aparelho de 200 W: 22.000 × 0,45 × 0,8 = 7.920 lm
  2. Precisa chegar à parede: 144 m² × 100 lux = 14.400 lm
  3. Quantidade: 14.400 ÷ 7.920 = 1,8 → 2 aparelhos

E dois aparelhos é a resposta errada, embora a conta esteja certa.

ArranjoIluminância médiaPotência instaladaEspaçamento em 18 m
2 × 200 W110 lux400 W9,0 m
4 × 100 W110 lux400 W4,5 m
6 × 100 W165 lux600 W3,0 m
6 × 50 W82 lux300 W3,0 m

Compare as duas primeiras linhas: mesma média, mesma potência instalada, resultado visualmente oposto. Com dois aparelhos a nove metros um do outro, a parede sai com duas manchas claras e um vão escuro no meio — a média de 110 lux existe na planilha e em nenhum outro lugar. Com quatro de metade da potência, a mesma luz cobre a parede.

A média é número de dimensionamento, não de aparência. Em fachada quem manda é a uniformidade, e ela não sai da fórmula: sai da geometria que esta página já descreveu. Para banho, o aparelho fica afastado de um terço a metade da altura — numa parede de 8 metros, 2,7 a 4 metros. O espaçamento entre aparelhos acompanha esse afastamento, o que em 18 metros de fachada dá cinco a seis pontos.

Então a ordem correta é o inverso da conta:

  1. A geometria dá o número de pontos. Seis, nesta fachada.
  2. A conta dá a luz total. 14.400 lm úteis.
  3. A potência é o que sobra da divisão. 14.400 ÷ 6 = 2.400 lm úteis por aparelho, que a 0,36 de aproveitamento pedem cerca de 6.700 lm de catálogo — algo entre 50 W e 100 W.

Note onde isso foi parar: a conta pedia dois de 200 W, e a fachada pede seis de 50 a 100 W. Mesma parede, mesma meta de luz, três vezes mais aparelhos com um quarto a metade da potência cada. É a mesma conclusão da seção anterior, agora com o número na mão.